O MENOR ABANDONADO -

A realidade no interior dos presídios ultrapassa, em muito, as breves pinceladas que vos apresentam os correntes meios de comunicação do vosso tempo. Graves, por representarem atentado à condição humana, por direito, digna e sã.

O abarrotamento que se vê nas celas das prisões denuncia as raízes profundas de uma sociedade cancerosa, em fase terminal do desenvolvimento da doença.

Cada menor é abandonado ao próprio carma, sem as atenuantes cristãs do perdão e da caridade, do amor ao próximo que lhes nega o carinho, o estudo e a formação moral. Transformam-se os pequenos em jovens delinquentes, violentos e perdidos, sem consciência de que o caminho da revolta, do ódio e da vingança conduz ao abismo das dores.

Tornam-se adultos desprovidos da mais tênue nuance de sentimentos sublimes que lhes confere a condição humana por aptidão nata. Aglomeram-se como animais nas celas imundas quando antes deveriam ocupar bancos escolares, na condição de almas devedoras, porém aprendizes do bem.

De que vos adiantam agora as medidas emergenciais de punição, transferência, construção de mais e mais novos depósitos de seres humanos, quando deveríeis garantir, através da célula sadia da sociedade, as condições para reajuste das almas devedoras?

Não vos iludais! Agora é tarde para medidas paliativas. Não basta limpar as excrescências mal cheirosas do câncer que avança, desordenadamente, quando suas raízes nada sofrem de abalo.

Medidas podem ser tomadas e, do plano em que estamos, afirmo-vos que já deveriam, há muito, terem sido tomadas.

Importa educar os pequeninos, dando-lhes as condições necessárias de vida, saúde e trabalho.

Deveis repartir com o próximo as oportunidades de sobrevivência sadia, pois se assim não o fizerdes, o que acumulardes, vos será retirado do mesmo modo. É que na Contabilidade Divina, nada tendes que vos pertença, a não ser o patrimônio moral que deveis cultivar, para que cresça e dê frutos. O mais, é tudo oferta generosa do Pai para testar-vos no caminho do bem.

Sede mansos uns com os outros, amorosos como irmãos e amigos para com os desventurados, compartilhando assim a herança de virtudes legada pelo Irmão Maior.

Apenas desse modo, estareis medicando as raízes da doença que corrói celeremente vosso meio.

Tende piedade e compaixão daqueles que erraram. Se acaso estivésseis em seu lugar, gostaríeis que sentíssemos piedade por vós?

Segui adiante, ocupando cada qual o núcleo social que vos cabe, agindo sem constrangimentos em favor da edificação, esclarecimento e preparação de um mundo melhor.

Que vossas vozes não se calem quando chamados a dar testemunho da vossa experiência como servos de Jesus, não negligenciando, jamais, um chamado para esclarecimento, amparo e proteção dos menores escolhidos de Jesus.

Vosso amigo,

Simão Pedro, em 24/02/2006

Livro Em Nome do Cristo Novamente Aqui Estamos

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