O CRISTO VEM -

     Do posto que ocupo perante a misericórdia do Senhor do Mundo, cabe-me difundir a luz do segundo raio, a luz do amor e da sabedoria, procurando fazer despertar na humanidade esta qualidade divina. Desse centro, onde trabalho, contemplo a história dos homens na sua progressiva conquista da manifestação do amor, unidade e, com eles, sabedoria.

      A sabedoria é inseparável do amor, pois implica contato íntimo, para além de todas as dúvidas, com o âmago das coisas. Esse contato é o anseio e o impulso do amor que impele toda criação a abraçar-se intimamente a si própria e toda criatura a abraçar-se espiritualmente a todas as outras.

     Do posto que ocupo ante a misericórdia do Senhor, comungo interiormente com todas as criaturas instigando-as a evoluírem pela força do amor, essa força que conforme se diz move montanhas e por meio da qual se alcançam a paz, a sabedoria e a pureza. Essa força que constrói, conserva a coisas construídas e, sobretudo, procura levar todos os seres a ascenderem a níveis  mais sutis onde a mais completa comunhão no todo é possível.

     Eu, Confúcio, estou encarregado de, ainda durante 500 anos, irradiar o amor-sabedoria sobre a terra dos homens. Mas o ponto máximo do meu trabalho (ou, pelo menos, o de utilidade mais manifesta) é agora quando o Cristo chega para nos trazer a mais fulgurante manifestação de amor que esta humanidade já conheceu. Um amor que supera obstáculos e eleva para maiores comunhões; um amor que desperta o desejo que cantar em harmonia no todo; um amor que procura instaurar a legítima troca entre os homens (sabermos receber o que os outros têm para nos dar em vez de desejarmos  que nos dêem isto ou aquilo). O amor que o Cristo vem trazer-nos é aquele que leva a máxima tranquilidade aos corações dos homens que aderem a sua corrente saciando as suas próprias almas, e que pretende recolocar a humanidade no caminho do cumprimento do seu papel cósmico, em estreita ligação com os planos do Pai para as  criaturas de todo o Universo.

     O Cristo vem mostrar-nos de que modo  amor é a ponte que liga as nossas atividades de homem ao reino arquetípico  e de poder do Pai. Isto é possível quando a chama dourada e ardente do nosso coração nos leva a desistir da nossa inferioridade para podermos abraçar o Todo; da opacidade para podermos ver o Todo refletir-se no cristal do nosso espírito; da ambição para assim alcançarmos a alegria do trabalho legítimo e finalmente compatível com a justiça e harmonia cósmicas; dos pequenos desejos para satisfazermos o gigantesco desejo divino que dentro de nós, reclama a saciedade (que, somente não desejando nada para o nosso pequeno eu separado dos demais, podemos alcançar).

    No estado originário da Criação, Deus fez-nos partícipes do Todo e cada criatura como que possuía seu quinhão no próprio coração, bem coma a Presença de todas as outras. Isto era possível porque o desejo de posse e de poder pessoal não existia; cada criatura podia dar-se às outras em total tranquilidade e ser digna de receber a participação de todas as outras na sua vida.

     O estado misterioso a que aludo (ciente da limitação das palavras que “ocultam tanto quanto revelam”) é aquele que o amor em nós, o divino desejo, quer refazer. É a comunhão e  unidade primitiva, outrora existentes quando aquilo a que os homens chamam Tempo não existia. Aprendei, pois, a discriminar ente o amor divino e desejo egoísta; o amor verdadeiro é amplo, absolutamente desinteressado, inclusivo, em busca constante do restabelecimento do contato íntimo com os outros, aceitando a doação de cada um; alegre e positivo na faculdade de encontrar o Bem (mesmo quando parece nada existir nos outros senão o  mal). O amor em nós,  excelsa qualidade divina, significa a inesgotável  tendência para a unidade.

     Nada pode finalmente opor-se a esta energia interior por que ela  é o mais firme dos testemunhos da presença divina nos homens. Passe o tempo que passar, aconteça o que acontecer, um dia o amor há de fazer-nos despertar para a tolerância, a aceitação, o perdão e o reconhecimento da irmandade íntima de todas as criaturas apesar dos ódios passageiros inexistentes no reino das aparências transitórias. Nada pode destruir essa essência de nós próprios que sempre se manifesta pelo amor. O cristo virá novamente testemunhá-lo,  e guiar-nos para compreensão do que em nós  existe, e nos há- de levar ao desenvolvimento e o triunfo.

     O amor constituirá, agora que o Cristo vem, o grande fator das novas conquistas da humanidade. Como sempre, todos nós ascenderemos por ele a um maior grau de sabedoria e alcançaremos novos cumes espirituais bastando apenas, para isso, que deixemos o Cristo evocar em nós a ressonância das almas prontas a amar.

     Recomendo que jamais torneis a cair num dos erros da era de Peixes que agora finda: julgar que deveis cultivar o amor, obrigar outros a senti-lo, condenar os que não o sentem ou lutar para que ele nasça em vós. O que devemos fazer é deixar que a energia crística, dentro e fora de nós, nos atraia para o reino de Deus. Devemos amar, muito mais do que falar de amor; procurar compreender os outros, em lugar de estar sempre a espera de que nos dêem coisas em troca de nossa religiosidade, boa intenção ou o que quer que lhe chamemos; procurar ostentar a luz dourada do amor em vez de gastar tempo a verificar se outros a têm.

     Acima de tudo, irmãos meus, recordai: o amor divino vem sempre de dentro para fora. Quando a tocha do amor ateia novas chamas, tal acontece porque ali existem o combustível e a atmosfera adequados. Quando a chama do amor cresce em alguém, podeis crer que ali sopra o vento da intuição alimentando-a de sabedoria; tudo isso são possibilidades intrínsecas ao homem.

      Na chama amorosa do Cristo, saúdo-vos de todo o coração.

      Confúcio

Fonte: Livro A Grande Revelação

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