NOS BASTIDORES VISÍVEIS E INVISÍVEIS DOS PRESÍDIOS -

 Ilhas sombrias 

Adentrar uma Penitenciária, Casa de Detenção ou uma Delegacia de Polícia é como penetrar num mundo primitivo, inferior. Há um empilhamento de seres humanos, gerando conflito, revolta, ódio. Desequilíbrios psíquicos e sexuais, criando distúrbios que, muitas vezes, só poderão ser vencidos em muitas vidas futuras. Este empilhamento desumano de indivíduos vem gerando, ao longo das décadas, a construção, nos planos físico e espiritual, de verdadeiros condomínios de horror, onde a devassidão, a violência e a escravidão se impõem do mais forte ao mais fraco. Nos planos astrais, foram afastadas as possibilidades de se criar núcleos socorristas nesses locais, pois ali já existem construções astrais de castelos de horror, no estilo medieval, até com as famigeradas pontes levadiças por cima de fossos com jacarés, em torno do castelo. Almas caridosas e abnegadas labutam naqueles antros de sofrimento e horror, no sacrifício de atender aos poucos infelizes que acenam com o pedido de socorro. Antros existentes devido ao descaso dos homens das leis. Há uma retroalimentação de selvageria nos planos físico e astral que se interligam, concorrendo para o fortalecimento da energia perversa ali contida. Suas fronteiras se expandem além das paredes físicas dos presídios. As mentes que se afinizam formam um conjunto aterrador de “feras”, numa simbiose natural. São desencarnados acoplados em encarnados de tal modo, que somente o olhar de um vidente mais experiente pode distingui-los. Após a retirada dos irmãos em tão desoladora situação, só o fogo purificador haverá de extinguir a chama negra alimentada por tantos séculos. Apenas o amor haverá de conduzir e transformar, através de experiências futuras, os trânsfugas do momento. Somente na trilha da dor haverão de corrigirem-se os trânsfugas das Leis Divinas. A indumentária de carne não confere aos seres a imunidade às faltas cometidas. Confere-lhes a benção do esquecimento dos seus erros e a oportunidade bendita de um recomeço, com roteiro seguro de redenção. Infelizmente, os instintos inferiores sobrepujam-se à razão humana e novamente as criaturas vêem-se arrastadas pelos mesmos instintos belicosos que não conseguiram superar e deixam-se dominar mais uma vez. Milhares de espíritos vestem um corpo de carne nesta hora planetária, vindos das mais diversas regiões astralinas densas, súplices pelo esquecimento das faltas que os torturam incessantemente, enlouquecidos pela dor e chagados de arrependimento. Reencarnam, recebendo um corpo muitas vezes robusto. São rodeados de cuidados por aqueles que, na retaguarda, no invisível, os avalizam para a encarnação. Crescem no ambiente físico que merecem e necessitam para curarem-se. Todavia, não valorizam a oportunidade, não se esforçam por mudança, atolam-se novamente, acrescentando mais dívidas àquelas que já possuíam. Reforçam o Exército Trevoso. Saciam a sede de vingança. Deleitam-se no sangue derramado. Condenam-se, mais uma vez, ao exílio. Milhares de almas, nessa hora, deixam a indumentária de carne (morrem) e dirigem-se compulsoriamente para as naves-prisões, pois desprezaram a chance redentora. Retornam para a escuridão. A Terra fica para trás. Mais um ciclo planetário percorrerão nas zonas inferiores da dor, em outra morada. A Luz do Amor do Pai haverá de brilhar sempre em seus íntimos, até que se depurem e a deixem expandir. Homens-feras, havereis de, num futuro distante, transmutarem-se em anjos. “Há um canal livre entre as Ilhas de Sombra e o Abismo”. Canal este que, dia-a-dia, fica mais forte, a medida que o descaso das autoridades fortalece os habitantes das Ilhas Negras (presidiários). As mentes perversas e desequilibradas possuem todo o tempo disponível para suas maquinações. Nas “ilhas sombrias”, que são as prisões, não existe ocupação salutar que desvie o pensamento das criações malignas. As criaturas ali trancafiadas não possuem sequer o direito de serem atendidas nas necessidades básicas de sobrevivência. É um sistema bruto que constrói, igualmente, seres brutos. Não há o que temer, os que lutam por mudar o sistema, mas ai daqueles que alimentam sua construção. Em piores condições que os detentos, partirão da Terra. Habitarão lugares em piores condições do que aquelas que hoje ajudam a construir. Não por punição ou maldição da Divindade. É a Lei do Retorno, devolvendo em acréscimo tudo que fez pelo irmão, quando possuía nas mãos as ferramentas necessárias para construir um mundo melhor. A arrogância, o descaso e a falta de amor, acrescidos de egoísmo, hipocrisia e orgulho, são os elementos que lhes custarão muitas encarnações de dores atrozes, na escuridão do exílio em outro planeta. Oh, irmãos! Vós, que tendes em mãos as chances de reduzir os sofrimentos e injustiças humanas, esforçai-vos por usar de toda a vossa força para fazê-lo, caso contrário, não podereis imaginar as graves conseqüências que recairão sobre vós. A ausência de amor ao próximo no coração das criaturas é pena gravíssima na Constituição Divina.

Conde Rochester e Ranieri Matias, em 20/01/2006

Fonte:  Livro Mãos súplices por socorro

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